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"HOMENS DE PAPEL"
Texto : Plínio Marcos
"HOMENS DE PAPEL"
O TÉSPIS
O Grupo de Teatro Téspis foi fundado em 27 de março de 1974, em Campinas, São Paulo.
Está completando 29 anos de atividades ininterruptas produzindo espetáculos reconhecidos
pelo público e pela crítica. Na categoria "teatro para crianças" produziu espetáculos de
grande sucesso como "O Cavalo Transparente" que recebeu o prêmio de Melhor Espetáculo de
1990 da Associação Paulista de Críticos de Arte e "O menino Maluquinho" ainda hoje em cartaz
pelo interior do Estado, premiado em 1988 como um dos cinco melhores espetáculos do Estado
de São Paulo recebendo o troféu do Ministério da Educação e Cultura. Recentemente produziu
"Maria Minhoca" de Maria Clara Machado, "A Cigarra e a Formiga" com texto de Edgar Rizzo e
"Cadê a Peruca do Mozart" de Sylvia Orthof. Tem se apresentado, com sucesso, para escolas de
todo o estado de S. Paulo com o projeto "Teatro e Educação", que consiste em levar aos alunos
de todas as idades, além de arte e diversão, uma reflexão crítica sobre o mundo, através de
temáticas atuais desenvolvidas por uma representação centrada na emoção do ator e emoldurada
pela beleza da simplicidade e da criatividade.
O Téspis há vários anos recebe o reconhecimento por seu trabalho qualitativo e inovador
através do público (90.000 expectadores com a peça "O Menino Maluquinho") e da crítica. Recebeu
os prêmios da APTC (Associação dos Produtores Teatrais de Campinas); Prêmio Minc_Fundacem;
3 indicações para o MAMBEMBE; 3 prêmios APCA/92 (Associação Paulista dos Críticos de Arte);
Indicação para o MOLIÉRE dentre outros.
As ultimas montagens para adultos foram: "A canção do Matadouro", "A pequena Trajetória do amor"
e "Morte e vida Severina".
APRESENTAÇÃO
Plínio Marcos é um dos dramaturgos brasileiros que com maior veemência percorre os meandros
do nosso cenário urbano. Retrata as atmosferas marginais e as relações sociais ali existentes de
uma maneira absolutamente objetiva e naturalista. Não é escritor de meias palavras ou de meias
verdades. Onde há miséria, mostra-se a miséria. Onde há violência, mostra-se a violência. Encontramos
seus personagens facilmente pelas ruas. Contudo, muito mais que um ávido cronista da sociedade moderna,
ele oferece sutilmente uma reflexiva relação de causa e efeito da situação em jogo, tornando poderosa
a sua abordagem e lançando-o ao posto de um dos grandes da dramaturgia nacional.
Pois bem, vivemos numa sociedade que cada vez mais expõe suas feridas de forma explícita, impetuosa
e, muitas vezes, sem tempo de absorve-las. A violência se faz presente em todos os lugares: nas ruas, nos
bares, nas instituições. E evolui inversamente proporcional à capacidade de nos indignarmos perante ela. A
falta de oportunidade para todos conduz a um comportamento egoísta baseado em relações de interesse. A
incrível facilidade com que as informações vão e vem obstrui, de certa forma, o poder de reflexão, de
comunicação, de troca. E por aí vai o extremismo das situações. Queremos saltar do trem, mas ele está correndo
muito depressa. Não é mais a Maria-fumaça de outrora.
Plínio Marcos então vem ao encontro de nossas aspirações (e obrigações) de artistas. Sem abandonar a qualidade
de entreter, queremos, através da nossa arte, também espelhar a sociedade da qual fazemos parte, promover a
reflexão, incentivar o diálogo, colocar o espectador na frente dele mesmo, ajudar a preparar o terreno para a
semente da mudança. É bem-vinda a sua dramaturgia eloqüente, pois nela encontramos ferramentas ideais para
colocar a platéia rápida e diretamente em contato com a sua própria realidade.
"Homens de papel", no caso, trata do jogo de poder, e o jogo de poder está na base das situações que levam
à violência. Violência essa que nos castiga, nos isola, nos estremece e tenta nos fazer calar.
A TRAMA
O cotidiano de moradores de rua, catadores de papel, marginalizados por uma sociedade cada vez mais
fechada e capitalista e explorados por aqueles que detêm as armas da dominação.
Nesse contexto urbano, esses "Homens de Papel" buscam a libertação tentando apoderar-se dessas armas
para virar o jogo do Poder.
A MONTAGEM
Contando com uma equipe competente de 11 atores, o diretor Edigar Contar não encontrou dificuldades
em transpor cenicamente o universo proposto por Plínio Marcos em "Homens de papel". Foram 2 meses de
ensaios intensivos em setembro e outubro de 2001, estruturados por um rico trabalho de pesquisa feito no
ano anterior.
A direção optou por enfocar claramente o jogo de poder que coloca os personagens nesta ou naquela
posição dependendo das armas que detêm (dinheiro, força física, capacidade intelectual).
As cenas foram concebidas acatando, de certa forma, o realismo proposto no texto, mais misturando-as
com momentos de distanciamento justamente com o intuito de reforçar a força dramática das mesmas e evitar
uma postura de envolvimento puramente emocional da platéia.
Esteticamente, o visual do espetáculo inclui o próprio título da peça, tendo o papel de jornal como
base de cenário e figurino sugerindo que, às vezes, homens e habitats se confundem na sua própria essência.
A trilha sonora, sugestiva, embala as situações propostas ilustrando pontualmente a ágil encenação.
O AUTOR
Plínio Marcos (1935-1999) costumava dizer que fazia teatro "não para o povo, mas a favor do povo".
O dramaturgo e cronista santista, alcunhado de maldito, sobretudo pela proliferação de agressões físicas
e pelos palavrões que fazia jorrar da boca de seus personagens, deu veracidade a seu discurso ao criar as
antológicas "Dois perdidos numa noite suja" (1966) e "Navalha na carne" (1967), peças banhadas em poesia
áspera nas quais fazia a veemente defesa dos excluídos. Hoje, Plínio Marcos poderia ser considerado o mais
politicamente correto dos dramaturgos brasileiros: deu voz e vez a todos os marginalizados enterrados nas
pocilgas e infernos do submundo.
Plínio era um cronista que pegava forte. Nos textos para a imprensa, há pouco palavrão e um arsenal
de gírias do porto de Santos.
FICHA TÉCNICA
Homens de Papel
Autor: Plínio Marcos
Direção: Edigar Contar
Supervisão: Edgar Rizzo
Cenário e Figurino: Edigar Contar
Maquiagem: Robson Lodo
Sonoplastia: Thais Daros
Iluminação: Wellington Macedo
Elenco:
André Torres
André Macedo
Andréia Cristina
Carolina Goes
Edigar Contar
Jean Ferreira
Matheus Martelli
Mônica Bassam
Paulo Constante
Rafael Smeke
Thaís Helena
Produção: Grupo Téspis
HISTÓRICO E PREMIAÇÕES
HOMENS DE PAPEL.
Estréia: 15 de Novembro de 2001.
Premiações na Campanha de Popularização do teatro realizado pela APTC(Associação dos Produtores de Teatro de Campinas).
Melhor Espetáculo
Melhor Direção: Edigar Contar
Melhor Cenário: Edigar Contar
Melhor Atriz: Andréia Cristina
Melhor Ator Coadjuvante: Rafael Smeke
Melhor Maquiagem: Robson Lodo
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